domingo, 20 de dezembro de 2009

Comissão da Frente Parlamentar do Litoral Norte busca solução para lixo da região

O Vereador Marcelo Santos (PPS), de Ilhabela, responsável pela Comissão de Resíduos da Frente Parlamentar do Litoral Norte Paulista (Frepap-LN) visitou, na semana passada, uma Unidade de Mineralização de Resíduos Sólidos com Geração de Energia, conhecida como “Usina Verde”, localizada na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (RJ).


Considerando a perspectiva de esgotamento dos aterros sanitários do Vale do Paraíba, este tipo de usina já deve ser encarado com planejamento para longo ou médio prazo por todas as prefeituras da região que vem passando por um grande processo de desenvolvimento nos últimos anos.

A ONU (Organização das Nações Unidas) já vem recomendando que as cidades não mais aterrem seus resíduos - a fim de acabar com todos os aterros - e sim separe o máximo de recicláveis e incinere o restante de forma ambientalmente correta gerando, ao mesmo tempo, energia elétrica.


O Vereador Marcelo visitou a usina, onde foi apresentado o todo o sistema pelos seus diretores Paulo Sérgio Gonçalves e Jorge Nascimento. A usina executa a incineração de lixo urbano, destruindo os gases causadores de efeito estufa na atmosfera, além de transformar em energia quase todos os resíduos sólidos recebidos.

As vantagens em relação às outras formas de destinação dos resíduos são bastante consideráveis. Além da geração de energia elétrica e dos créditos de carbono que podem ser negociados, o resultado do material incinerado são cinzas que podem ser agregadas a outras substâncias e usadas na produção de tijolos e telhas ou até asfalto, aumentando inclusive a resistência do material.

O engenheiro Paulo Sérgio afirmou que, dependendo do tamanho da usina, são necessários de 18 a 24 meses para a implantação.

Geração de energia

O local visitado está capacitado para gerar o dobro de energia atual que é usada para autoconsumo. Com as 30 toneladas de lixo tratado que recebe por dia, provenientes do aterro sanitário da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), a usina tem potência de 440 quilowatts (kW). Se funcionasse em tempo integral, isso representaria cerca de 3.500 megawatts/hora (MWh) por ano, o que seria suficiente para abastecer 1.500 residências.

Para uma cidade de 40 mil habitantes, por exemplo, a energia elétrica gerada por uma usina verde alimentaria 10 a 15 mil habitantes. A Petrobras poderia ser uma das empresas da região potencialmente interessadas no projeto devido à geração de energia.

A energia gerada é um sub-produto do processo de destinação final ambientalmente correta do lixo urbano e jamais deve ser comparada com hidrelétricas ou termelétricas, cuja única função exclusiva é gerar energia . O processo, além de aproveitar o potencial energético contido em resíduos que seriam simplesmente enterrados, contribui com a conservação da energia contida nos materiais segregados para fins de reciclagem (alumínio, metais ferrosos, vidros etc.).



Créditos de carbono

Para se habilitar a receber créditos de carbono a usina deve passar por uma auditoria internacional de certificação. Créditos de carbono são bônus negociáveis em troca da não poluição do meio ambiente.

Os países desenvolvidos onde se encontram instaladas e em operação mais de 80% da Usinas de Geração de Energia a partir do Lixo Urbano, entendem ser esta uma das boas opções para substituição da energia de combustíveis fósseis por fontes alternativas renováveis, com indiscutível economia ambiental e financeira em relação aos cada dia mais distantes aterros sanitários.

O processo da Usina Verde

O processo de tratamento térmico e geração de energia a partir dos resíduos urbanos é precedido por seleção manual e mecânica de todos os materiais recicláveis – garrafas “pet”, papelão, latas de aço e de alumínio, vidros, etc. que serão destinados à indústria de reciclagem.

Somente são submetidos ao tratamento térmico a matéria orgânica e os resíduos combustíveis não recicláveis (papel e plástico contaminado com matéria orgânica, etc) ou seja, exatamente o material que seria destinado ao Aterro.

O tratamento térmico dos resíduos no forno ocorre, em média, a 950º C. A oxidação dos gases, na câmara de pós-queima, ocorre a aproximadamente 1050°C, com tempo de residência de 2 segundos. As cinzas são recolhidas em arrastadores submersos em corrente de água e lançadas no decantador.

Os gases quentes (cerca de 1000º C) são aspirados através de uma Caldeira de Recuperação, onde é produzido vapor a 45 Bar de pressão e 400° C.

O vapor gerado pela caldeira acionará um Turbo-gerador com potência efetiva de 3,3 MW, gerando aproximadamente 0,6 MW de energia elétrica por tonelada de lixo tratado. Os gases exauridos da Caldeira de Recuperação são neutralizados por processo que ocorre em circuito fechado (filtro de mangas, lavadores de gases e tanque de decantação) não havendo a liberação de quaisquer efluentes líquidos.

Solução Regional

Como responsável pela Comissão de Resíduos da Frepap-LN, nos últimos meses o vereador tem buscado informações e estatísticas do lixo do Litoral Norte – inclusive visitou todas as cidades - e apurou que Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba produzem juntas, em média, 300 toneladas por dia e cerca de 150 mil toneladas por ano, que em 2009, foram exportados pelo custo de R$ 20 milhões.

O vereador ainda aponta como problemas em relação ao lixo: a proibição da Cetesb quanto aos aterros sanitários no Litoral e a dificuldade de exportar o lixo para outras cidades devido ao grande volume.

Segundo Marcelo, este levantamento ainda está em fase preliminar, mas a Frepap levará aos prefeitos a idéia da Usina Verde como uma das possíveis soluções regionais para o lixo, pois além de não poluir o meio ambiente a usina ainda pode gerar energia elétrica.

SAO SEBASTIAO : Ong Caetê Ecolazer completa 10 anos

A ONG Caetê Ecolazer completou ontem 10 anos como entidade jurídica, devidamente registrada. A Caetê Ecolazer – Educação Ambientale Ecoturismo é uma entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com duração por tempo indeterminado, localizada em São Sebastião.


Fundada em 1999 por um grupo de profissionais que escolheu uma proposta coletiva para desenvolver e viabilizar o trabalho de conservação e preservação da natureza e da cultura, através de ações educativas, ambientalistas, esportivas, culturais e turísticas, a Caetê Busca contribuir com as comunidades, através da Educação Ambiental, no mercado de Ecoturismo e nas Políticas Públicas.

Neste ano, em parceria com a secretaria municipal de Meio Ambiente, a ONG desenvolveu diversas atividades na cidade, como limpeza do rio Boiçucanga; além de uma programação para comemorar a Semana do Meio Ambiente na Costa Sul do município, como exibições de filmes, palestras, roda de capoeira, limpeza de rios e praias, oficinas de planejamento participativo e de reutilização, gincana estudantil ecológica, etc.

Atualmente, a ONG está em busca de patrocínio para desenvolver o Projeto Espaço Agito na Praia – Verão 2010, com o principal objetivo de estabelecer um vínculo com o frequentador da praia, levá-lo a se interessar pela qualidade ambiental dos espaços e por atividades de ecoturismo e lazer ao ar livre com segurança e bem estar.

As atividades serão executadas por uma equipe de monitores de ecoturismo e recreação, norteados pelas premissas básicas do ecoturismo como: respeito à biodiversidade e à diversidade cultural, aliada ao desenvolvimento sustentável e educação ambiental que norteiam as atividades de todos os envolvidos nesse projeto.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O que mudou desde a primeira grande conferência sobre o clima?

Thiago Chaves-Scarelli



Do UOL Notícias

Em 1992, mais de 170 países se reuniram no Rio de Janeiro para discutir como proteger o ambiente, em uma época em que a ciência ainda não conseguia medir o aquecimento global e o crescimento demográfico era visto com assombro. Hoje, 17 anos depois, uma pilha de estudos jura que o clima está esquentando por nossa culpa, e os líderes mundiais voltam a se reunir para decidir o que fazer. O principal impasse, contudo, ainda é mesmo: ninguém quer assumir a conta.

A Eco 92, também chamada de Conferência da Terra, foi o mais abrangente encontro climático de sua época, com ambições semelhantes àquelas anunciadas pela atual reunião em Copenhague. E o que mudou desde então? Por um lado, se o mundo se reúne de novo, em clima de urgência, é porque os problemas não foram resolvidos. Por outro, se a preocupação existe é porque a Eco 92 conseguiu instalar a questão do ambiente na agenda política mundial.


“Naquela época, os termos foram colocados de modo muito cuidadoso, se falava em ‘perigoso’, mas não se sabia bem o que era ‘perigoso’, acabava sendo um adjetivo vago”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre. “Hoje, com tremendo avanço científico, temos capacidade de enxergar com os nossos próprios olhos o aquecimento global”.

O que isso significa? “Dá para ver que essa trajetória, se não for alterada, será muito perigosa. A temperatura vai aumentar 4º ou 5º até o próximo século, ou seja, agora nós sabemos quantificar o que é ‘perigoso’”, afirma Nobre, que também é membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

Por outro lado, é possível observar avanços em alguns temas, que desapareceram da discussão. “A causa do buraco de ozônio foi bem identificada pela ciência”, afirma o especialista, referindo-se ao CFC, que por muito tempo foi o “vilão” da natureza.

“Os acordos internacionais praticamente baniram a produção desses elementos e o lançamento de CFC na atmosfera diminuiu mais rapidamente do que se pensava”, acrescenta. “É provável que até meados do século o buraco suma”.


A questão da demografia também mudou de figura. Em 1992, muitas vozes advertiam que o ritmo de crescimento da população mundial ia ser fatal para os recursos naturais. Hoje, se percebe a diminuição mundial da fertilidade, e os analistas estimam que a população do planeta tende a se estabilizar em 9 bilhões de pessoas, derrubando o medo do crescimento desenfreado. “É um número grande, manter essa população com qualidade de vida afeta o ambiente, mas o planeta terá que lidar com isso. O que não é possível é impor a restrição da fertilidade, que é uma postura autoritária. Fertilidade é questão cultural, e diminui com a educação”, explica o cientista.

O pesquisador também alerta que, mesmo assim, o encontro de Copenhague já vem tarde. “Se houvesse menos inércia, essa reunião deveria ter acontecido em 1994 ou 1995”.

“Os países têm uma inércia enorme, se escudaram em uma incerteza científica, que sempre vai existir”, comenta Nobre. “Para quem olha retrospectivamente, parece um enorme tempo que se perdeu, mas, como diz o ditado popular, antes tarde do que nunca”.

Negociadores chegam a texto de acordo inicial sobre clima

Pete Harrison e Krittivas Mukherjee


Em Copenhague


Anuncie aquiNegociadores alcançaram um esboço inicial de um acordo climático durante a madrugada do último dia da conferência climática. O texto pede a limitação do aumento da temperatura global em 2 graus centígrados, além de bilhões de dólares em ajuda aos países pobres, disseram fontes.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se juntará a outros 120 líderes mundiais no último dia das negociações sobre o clima, que visam alcançar um acordo para impulsionar os esforços internacionais para cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa, considerados responsáveis pelo aquecimento do planeta.

O texto, que ainda está em discussão, propõe um limite no aumento da temperatura global de 2 graus Celsius em relação à era pré-industrial, disseram as fontes, que pediram para não terem o nome revelado, à Reuters.

Países baixos, que podem sofrer mais com o aumento dos níveis dos oceanos, querem um limite mais rígido, de 1,5 grau centígrado. As temperaturas já subiram metade disso somente no último século, segundo o painel climático da ONU.

Duas fontes disseram que o texto também promete que os países ricos doarão 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar países pobres a adaptarem suas economias e lidarem com a mudança climática .

Líderes de 26 nações ricas e em desenvolvimento se reuniram nas primeiras horas desta sexta-feira para tentar superar profundas divergências que afetam as negociações desde o seu lançamento, há dois anos em Bali, na Indonésia.

"Os líderes estão chegando, a maioria já chegou, e a razão que os fez decidir vir a Copenhague é porque há um sentimento genuíno de conseguir algo importante", disse o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.

Uma das fontes disse que o texto, que deve sofrer mudanças, não menciona metas de redução de emissões de carbono dos países industrializados.

(Reportagem adicional de Alister Doyle, Gerard Wynn, Anna Ringstrom, John Acher, Jeff Mason, Richard Cowan e Emma Graham-Harrison)

do UOL Ciência

VIDEO 30 ANOS PROJETO TAMAR EM UBATUBA




FONTE : Litoral Virtual

Brasil lidera o “ranking” de sustentabilidade

O Brasil encabeça o ranking de combate à mudança climática publicado nesta segunda-feira (14/12) pela ONG Germanwatch e a rede Climate Action Network (CAN), organizações não governamentais europeias. Pela primeira vez desde que o indicador começou a ser medido um país emergente ocupa a liderança da lista, superando países desenvolvidos economicamente, como a Suécia, a Alemanha e a Noruega. As informações são da BBC Brasil.


O Brasil obteve nota 68, o que o coloca no grupo dos países cujo desempenho no combate à mudança climática é considerado “bom”. No mesmo grupo ficaram a Suécia (67,4), Grã-Bretanha e Alemanha (65,3), França (63,5), Índia (63,1), Noruega (61,8) e México (61,2).

“É muito bom que países emergentes estejam ganhando posições neste ranking. Estão mandando um sinal claro, durante as negociações de Copenhague, de que estão comprometidos em combater a mudança climática. Gostaria apenas que outros países europeus estivessem demonstrando o mesmo compromisso para com as mudanças positivas”, avaliou o diretor europeu da rede CAN, Matthias Duwe.

Esta foi a quinta edição do índice de desempenho da mudança climática (CCPI, na sigla em inglês) que avaliou as medidas que estão sendo tomadas em 57 países e as comparou com o que está sendo feito em outros países e o que a organização considera necessário ser feito para evitar um aumento de 2º C na temperatura do planeta.

Como a ONG considera que “nenhum país está se esforçando o suficiente para prevenir uma perigosa mudança climática”, nenhum desempenho foi considerado “muito bom”, deixando vazias as três primeiras posições doranking.

As duas ONGs elogiaram a melhora do marco legal de proteção ao clima no Brasil. Mas adotaram uma postura cautelosa em relação à desaceleração do ritmo de desmatamento que reduziu as emissões de carbono do país. “Ainda não está claro se isso é resultado de uma menor demanda por óleo de palma e soja na atual crise econômica.”

O indicador foi divulgado no mesmo dia em que as negociações sobre o clima na capital dinamarquesa esbarram em um impasse, com os países emergentes acusando os desenvolvidos de promover um acordo sem força para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. No rascunho de acordo apresentado na sexta-feira (11/12), as metas de cortes na emissão de carbono variam de 25% a 45% até 2020.

Para os divulgadores do CCPI, as metas apresentadas pelos países ricos são “insuficientes”. No fim da lista, entre os países com desempenho “muito ruim”, figuram o Canadá (40,7) e a Arábia Saudita (28,7).

A ONG ressaltou que, apesar de estar entre os dez maiores emissores mundiais de CO2, até agora o Canadá não anunciou nenhuma política significativa em relação ao tema. Já a Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo, é considerada uma espécie de “inimiga” dos ambientalistas, por questionar a origem e a importância do fenômeno do aquecimento global. Na mesma categoria, e a apenas oito do fim do ranking, ficaram os Estados Unidos (46,3).

“Há uma série de propostas de políticas climáticas tramitando no Congresso americano no momento, mas nenhuma ainda aprovada”, disse o diretor de políticas da Germanwatch, Christoph Bals. “Uma lei que realmente reduza as emissões, assim como uma posição forte em Copenhague, melhoraria a posição dos Estados Unidos no ranking”, acrescentou.

Da Envolverde/Agência Brasil / Edição de Rivadávia Severo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Nível do mar vai subir 8 metros com aumento de 3ºC na temperatura da Terra

Na última era interglacial, há 125 mil anos, o nível dos mares era de 8 m a 9,4 m mais elevado que atualmente, com temperaturas nos polos de 3ºC a 5ºC mais quentes, segundo um novo estudo divulgado nesta quarta-feira pela revista "Nature".


Estes resultados de pesquisadores das universidades de Harvard e Princeton, publicados durante a Conferência sobre o Clima de Copenhague, revisou em alta as estimativas do último relatório do IPCC (Painel Intergovenamental das Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) sobre a matéria, que calculava a alta do nível dos mares entre 4 m e 6 m acima do nível atual naquele mesmo período.

Robert Kopp e seus colegas construíram um modelo estatístico com base em inúmeras medidas efetuadas em diferentes locais do globo, com uma alta não homogênea do nível dos mares há 125 mil anos.

"Encontramos uma probabilidade de 95% de que o nível dos mares tenha chegado a um nível pelo menos superior a 6,6 metros ao nível atual", segundo o estudo.

"É possível [67%] que este nível tenha sido superior a mais de 8 metros ao nível atual, e improvável [probabilidade de 33%] que ele tenha ultrapassado 9,4 metros', acrescentaram os cientistas.

"Estes resultados colocam em evidência a vulnerabilidade a longo prazo das calotas polares a um aquecimento duradouro, mesmo a níveis relativamente fracos", destacaram.

Os autores calcularam que durante a última era interglacial, o nível médio dos mares subiu de 6 mm a 9 mm por ano, contra quase 2 mm por ano durante o século 20 e provavelmente em torno de 3 mm por ano entre 1993 e 2003.

"Se as estimativas de Kopp e de seus colegas forem corretas, a mensagem problemática é a de que o nível de equilíbrio do nível dos mares em resposta a um aquecimento global de 1,5ºC a 2ºC seria uma elevação de 7 a 9 m em relação ao nível atual", escreveram dois especialistas americanos em geociências, Peter Clark e Peter Huybers, em um comentário publicado pela "Nature".


Reportagem da France Presse, em Paris, publicada pela FOLHAONLINE.